Compostagem é mais simples do que você imagina. Dá até pra fazer em casa

 

Compostagem foi o tema da primeira edição do CineEcomAmor, que nasce com objetivo de ocupar espaços públicos com discussões sobre cidades saudáveis

 

Numa noite fresca de outubro, um grupo de pessoas sentadas em cadeiras, banquinhos e cangas espalhadas pela grama de uma pracinha no setor Sul de Goiânia assistia, atento, a um documentário sobre compostagem. Era a primeira edição do CineEcomAmor, evento promovido pela EcomAmor para ocupar espaços públicos com cultura, educação e arte.

CineEcomAmor, evento promovido pela EcomAmor, na àrea de lazer do Coletivo Centopéia

Dirigido por Guto Zorello e João Santiago, o documentário “Compostagem, PorQueNão?” é uma produção brasileira que oferece caminhos para uma gestão de resíduos mais eficiente, desde a compostagem doméstica até os pátios de compostagem, método de transformação de resíduos orgânicos em composto para nutrir o solo. 

Entre os entrevistados no documentário está Rhuan Max, que também participou da sessão do CineEcomAmor como debatedor. Os primeiros contatos de Rhuan com a compostagem aconteceram há mais de uma década, em 2007, por meio de um primo. A partir daí, o técnico em Controle Ambiental e Agrofloresta passou a pesquisar sobre o tema até fazer seu primeiro minhocário, técnica de compostagem que utiliza minhocas para a decomposição dos resíduos. 

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Desde que começou a compostar em casa, Rhuan observa mudanças que vão além da produção de composto.

“Ter um minhocário em casa é uma readaptação de hábitos, pois você começa a repensar em toda sua cadeia de consumo, e no fim das contas ainda tem um ótimo adubo, que serve tanto pra usar em casa, como pra fazer uma graninha”, conta.

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Num dos momentos iniciais, o documentário relembra a célebre lei de Lavoisier, segundo a qual “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. A compostagem tem ligação direta com gestão de resíduos, uma questão cada vez mais preocupante nos centros urbanos. Diariamente, 541 toneladas de resíduos urbanos são gerados na América Latina e no Caribe. O dado é do relatório “Panorama da gestão de resíduos na América Latina e no Caribe”, da ONU Meio Ambiente, documento de 2018. Considerando índices como o crescimento populacional, urbanização e padrões atuais de consumo, estima-se que, em 2050, sejam geradas 671 toneladas diárias de resíduos na região. 

No Brasil, segundo levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), entre 2016 e 2017 houve um crescimento na geração total de resíduos sólidos urbanos, de 212.753 para 214.868 toneladas por dia.

Segundo o mesmo relatório da ONU Meio Ambiente, metade dos resíduos urbanos gerados é orgânica, de origem vegetal ou animal. Como estratégica para solucionar a questão, a organização recomenda, entre outras medidas, o incentivo ao aproveitamento desses resíduos, com técnicas como a compostagem.

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Segundo o manual de orientação “Compostagem Doméstica, Comunitária e Institucional de Resíduos Orgânicos”, publicação do Ministério do Meio Ambiente, compostagem é “o processo de degradação controlada de resíduos orgânicos sob condições aeróbias, ou seja, com a presença de oxigênio”. Sob condições ideais, uma diversidade de macro e micro-organismos atua na degradação acelerada dos resíduos, resultando em um material de cor e textura homogêneas, o composto orgânico, utilizado como boa fonte de nutrientes para o solo, devolvendo para a terra aquilo que veio dela, fechando assim um ciclo. 

O método de compostagem pode ser adotado em larga escala, em empresas, em comunidades e escolas e, também, em pequeno escala, de modo doméstico. A compostagem caseira é simples de produzir e manter, mas exige cuidados e constante observação para possíveis desequilíbrios. Existem tutoriais e cartilhas na internet ensinando a construir uma composteira com materiais do dia a dia, como baldes e torneira. Em geral, são necessários três caixas, uma delas para servir de coletora e as outras duas, digestoras. As caixas digestoras, em revezamento, recebem os resíduos e são cobertas por matéria seca. Dois ou três meses depois, a mistura é decomposta e vira composto orgânico.

Aproveitar restos de comida, quando se está acostumado a descartar – muitas vezes sem qualquer separação entre os materiais recicláveis e orgânicos – e ter minhocas em casa para compostagem exige repensar hábitos e mudar uma cultura. “Hoje é o meu trabalho é conscientizar e ajudar comunidades a repensar sua relação com o lixo e com meio ambiente, e tive que começar por meus próprios hábitos, então podemos dizer que  compostar mudou minha relação com o consumo”, explica Rhuan, que atua no “Nosso Jardim”, projeto que propõe a criação de ambientes ecopedagógicos de interação entre as crianças e a natureza, em escolas públicas do Distrito Federal.

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Na sua atuação em escolas, Rhuan faz um trabalho de formiguinha de conscientização.  

“É essencial se ter uma educação efetiva nas questões ambientais e se tornar responsável pelos impactos que cada um causa no planeta, e a compostagem é essencial nesse pensamento. Tem que começar com as crianças e ir até os adultos, pois nada muda da noite pro dia”, conta. .

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Tornar mais pública essa discussão e desmistificar a compostagem foi um dos objetivos da primeira edição do CineEcomAmor. Para Jordana Oliveira, voluntária da EcomAmor que trabalhou na realização do evento, “o Cine EcomAmor surgiu da ideia de expandir os momentos de troca de saberes e experiências entre a ONG e a comunidade. Pudemos perceber a importante rede que se forma quando podemos conversar e compartilhar sobre uma questão relevante e urgente que é a produção de resíduos que produzimos diariamente”. 

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Naquela noite de outubro, a EcomAmor, que surgiu para ocupar um espaço público ocioso com uma horta, deu um novo passo para a promoção de cidades saudáveis, ocupando um espaço público e criando uma comunidade.

“Falar sobre compostagem é falar sobre consciência ambiental e social, consumo e cuidado com o solo. Informar e promover o encontro de pessoas dispostas a transformar nossa cidade em um espaço mais saudável e consciente é o que nos move a seguir acreditando que são nas micropolíticas do cotidiano que as transformações começam”, resume Jordana.

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E a iniciativa já gerou as primeiras sementes. Isadora Ferreira sempre quis compostar, mas achava que era algo difícil. Depois de participar de uma oficina promovida para a equipe da ONG e do CineEcomAmor, construiu a sua primeira composteira caseira. “Sou formada em Ciências Ambientais e estou terminando uma pós em Educação Ambiental. Sempre tive um sonho de mostrar para pessoas que dá pra fazer projetos ambientais que sejam úteis de forma barata e a composteira é o melhor exemplo disso, porque dá pra usar em casa. Já estou usando e dei uma mini aula pra todo mundo de casa do que pode ou não colocar dentro dela. Minha vó amou, porque temos uma horta em casa e estávamos penando pra adubar elas”, explica a assistente administrativa da EcomAmor.

E a iniciativa já gerou as primeiras sementes. Isadora Ferreira sempre quis compostar, mas achava que era algo difícil. Depois de participar de uma oficina promovida para a equipe da ONG e do CineEcomAmor, construiu a sua primeira composteira caseira.

  • “Sou formada em Ciências Ambientais e estou terminando uma pós em Educação Ambiental. Sempre tive um sonho de mostrar para pessoas que dá pra fazer projetos ambientais que sejam úteis de forma barata e a composteira é o melhor exemplo disso, porque dá pra usar em casa. Já estou usando e dei uma mini aula pra todo mundo de casa do que pode ou não colocar dentro dela. Minha vó amou, porque temos uma horta em casa e estávamos penando pra adubar elas”, explica a assistente administrativa da EcomAmor.

 

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